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Pescarias no Rio das Velhas

Pescarias no Rio das Velhas

Lá vai mais uma história que cujos detalhes jamais vão sair de minha memória.
Meu pai, Sr Romildo, Raul e me lembro que em algumas vezes tb estava o Sr Aristides... Eles descobriram um lugar fantástico para pescaria no rio das velhas.

Para chegar até lá, pegava-se a estrada de Sacramento e em algum lugar entrava em um colchete e descia por uma estrada esburacada, muito ruim. A estrada descia um cerradão cheio de árvores frutíferas, gabiroba, mangaba, jatobá e muitas vezes precisávamos descer todos do carro porque quebrava alguma coisa, ou em tempos de chuva encravava e era uma diversão tirar o carro da lama. Rssss

Depois de uns 40 minutos descendo estrada esburacada abaixo chegávamos numa praia deliciosa. Os carros precisavam ficar mais acima pq se entrassem na areia ninguém tirava depois. Era uma areia fofa, branquinha que descia ladeira abaixo até as margens do rio.

Fazíamos brincadeiras deliciosas nesse morro de areia.
Papai ajeitava uma "banda" de um latão para que pudéssemos sentar em cima e descer morro abaixo. Era uma briga, pois não tinha latão para todos. Tinha que ser um de cada vez.

Geralmente mamãe levava uma panela de galinhada pronta, e era mais fácil alimentar todo mundo durante todo o dia.

Outras vezes levava-se carne e fazíamos churrasco.

Nem papai, nem seus amigos eram de beber nada, por isso acredito eu que o que mais gostavam era da bela galinhada que minha mãe fazia.
O rio era bem razinho nas margens, onde víamos perfeitamente um banco de areia e sua divisão de onde este banco terminava e ficava fundo de repente. Nosso limite era o banco de areia, jamais ultrapassar. Com isto brincávamos tranquilos na água quase transparente e morninha. Do outro lado era um baita paredão de uns 8 metros de altura. Os pescadores ficavam em uma canoa bem encostada ao paredão.

Um dia foram muitas pessoas para este lugar paradisíaco. Não me lembro bem das pessoas que lá estavam, só sei que alguns jovens rapazes eram funcionários da fábrica e trabalhavam no almoxarifado com meu pai.
Um desses rapazes, por favor não me peçam nome, porque realmente não me lembro, mas lembro muito bem de sua fisionomia... era negro, rosto redondo e gordinho...
Este rapaz atravessou o rio nadando, e se segurando em galhos de pequenas árvores no barranco foi subindo de galho em galho.

Parecia um chimpanzé de tão rápido q ele ia escalando aquele esbarrancado. rssss
Quando chegou lá em cima, ele arrancou aplausos do pessoal que fizeram maior farra.
Muito bem... aeee gritavam todos...

E agora??? O que ele vai fazer??? Ai ai ai ai ai ai...

Os pescadores gritavam p ele descer, ele dizia q ia pular... mas os pescadores falavam bravos que não fizesse isso...

Imagina se ele ia desistir de pular se o pior que era subir o barranco ele já tinha feito. rsss
E não deu outra, ele pulou de forma vitoriosa e tibummmmm no rio... Depois de um longo tempo de espera e um pouco de apreensão ele apareceu nadando logo mais abaixo, pois a correnteza o levou para mais longe. Quando apareceu conseguiu gritar socorrooooooooo me ajudemmmm...

E foi aquela algazarra, muita gente gritando e os pescadores ligaram o motor da canoa e logo chegaram perto do rapaz e o colocaram a bordo.
Não sei exatamente explicar o que houve, mas lembro-me perfeitamente que qdo o rapaz chegou à margem ele parecia mais um sapo do que o chimpanzé que vimos subindo o barranco. rsss

Ao pular na água o nariz, olhos e face do rapaz estavam estufados como se tivesse cheios de ar. Acredito eu que qdo ele bateu na água deve ter entrado água ou ar por todos os buracos e ele parecia um balão ambulante.
O susto foi grande por parte do adultos, mas as crianças e os moços e moças riram bastante.

Não sei contar se levaram ele para algum atendimento imediatamente, ou se ele foi melhorando logo em seguida. Só sei que ele deve ainda estar vivo para contar esta historia. rssss Pena que não sei nada sobre ele pra dar alguma pista para vcs... Mas quem sabe ele esteja no face ou alguém q conheça esta história possa dar notícias dele.

Estou amando relatar estas coisas que juro para vcs nem eu mesma sabia que me lembrava desses fatos. E muito gostoso, principalmente porque tudo que me aconteceu envolvia meu pai, e é muito legal sentir que ele foi a pessoa que me proporcionou grandes momentos em minha infância, pois muitos fatos envolvem as pescarias e caçadas dele e de seus companheiros tão queridos Sr Romildo e Raul pessoas pelas quais tenho grande carinho e admiração.

Cristina Castanheira

Grupo Astros e Estrelas de Ponte Alta/Facebook